• Ana Rafaela Kaluf

Sabia Dessa? – “DANÇOMANIA” e a Praga de São Vito | DROPS

Atualizado: Jan 21

Acabar-se na pista de dança nunca fez tanto sentido depois desta história!

Alguma vez na vida você já disse “eu vou dançar até morrer”, deram 20 minutos e voltou a sentar reclamando de dor e cansaço? Bom, nessa história aqui, você literalmente teria morrido. Acompanha só!

Em algum dia de julho de 1518, uma mulher de nome Frau Troffea, da cidade de Estrasburgo (atual França, na época parte integrante do Sacro Império Romano-Germânico), saiu de sua casa e iniciou um ritmo frenético de movimentos que lembravam uma dança qualquer. Não conseguiu parar por 6 dias! Durante esse período, outras 34 pessoas juntaram-se a ela, sem mais nem menos, nesta dança maluca que a medicina chamou de “Epidemia de Dança de 1518“.

Gravura de Henricus Hondius retratando três mulheres acometidas pela praga. Obra baseada em desenho original de Pieter Bruegel, que teria testemunhado um dos surtos subsequentes em 1564.

Apesar da estranheza isso não é um mito: dentre alguns historiadores, o professor americano John Waller publicou um livro específico sobre o caso, intitulado A Time to Dance, A Time to Die: The Extraordinary Story of the Dancing Plague of 1518 (Um Tempo para Dançar, Um Tempo para Morrer: a Extraordinária História da Praga da Dança de 1518 – em tradução livre) em que afirma ser “incontestável” que o evento de fato aconteceu.

Dentre vários relatos documentados um ponto era sempre o mesmo: a adesão à dança era involuntária. Era dito que as pessoas gritavam de dor, pediam ajuda aos berros e clamavam por misericórdia e, mesmo assim, não paravam de se mexer descontroladamente. Em um mês, o número chegou a 400 pessoas! E nada fazia com que elas parassem de dançar, nem mesmo a morte de alguns por exaustão ou ataques do coração.

Os médicosastrônomos (que detinham forte credibilidade) da época concluíram que a epidemia era uma doença natural, causada por “sangue quente” que chegava ao cérebro e provocava surtos. O restante saudável da população achou por bem incentivar os dançantes a continuarem com os movimentos ininterruptos, construindo palcos no meio da cidade, contratando músicos locais e etc, para que, talvez assim, acabassem satisfeitos uma hora ou outra. Porém, não foi bem isso que aconteceu…

A ideia virou uma tragédia quando perceberam que mais pessoas se sentiam convidadas a se juntar aos dançarinos, aumentando o frenesi da epidemia. Sem mais recursos ou respostas, a população fervorosamente religiosa acabou por atribuir a São Vito (protetor dos dançarinos e dos epiléticos) o desencadeamento da Praga Dançante. Isto porque, em  outros dois casos na Suíça, no século 14, os mesmos acontecimentos foram registrados um dia depois do Dia de São Vito (15 de junho).

Depois de 4 meses de alvoroço, dedo no c* e gritaria, o surtou parou do mesmo modo como começou: de repente. E, mesmo com as pessoas retomando suas vidas, os registros históricos estão aí para provar que realmente houve uma Histeria Coletiva.

“As dançomanias são bem documentadas e foram descritas em numerosas crônicas medievais europeias que continham descrições de testemunhas. Além disso, diversos médicos do período escreveram sobre isso. Sendo assim, não há dúvida de que ocorreram – a questão mais relevante é: por quê?” (Robert Bartholomew, sociólogo da Universidade James Cook (Austrália)).

Mas o que é Histeria Coletiva?

Também conhecida por histeria em massa, é um fenômeno sociopsicológico definido pela manifestação dos mesmos ou semelhantes sintomas histéricos por mais de uma pessoa. Uma manifestação comum de histeria colectiva ocorre quando um grupo de pessoas acredita que sofre de uma doença ou padecimento semelhante.

A histeria colectiva começa tipicamente quando alguém adoece ou torna-se histérico durante um período de stress. Após a demonstração dos sintomas pelo indivíduo inicial, outras pessoas começam a manifestar sintomas semelhantes, geralmente náuseas, fraqueza muscular, convulsões ou dores de cabeça.

Vale lembrar que em 1518, os habitantes de Estrasburgo estavam sofrendo ainda mais fome do que o usual devido à uma sucessão de péssimas colheitas, causando aumento nos preços dos grãos e alimentos, além das diversas doenças contagiosas que acometiam a Idade Média neste período, tais como sífilis, varíola e, ainda, o que restava da peste bubônica.

Durante séculos a Epidemia de Dança vem sendo estudada e, ainda assim, os pesquisadores não conseguem chegar a um consenso unânime sobre como ela começou e nem mesmo como parou…

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