• Ana Rafaela Kaluf

Papo de longa – As Obscuridades em “O Farol” (2019) | Crítica

Atualizado: Jan 21

Esqueça o vampiro que brilha em Crepúsculo (2008) e o Duende Verde do Homem-Aranha (2002), pois aqui Robert Pattinson e Willem Dafoe dão um show como protagonistas do misterioso O Farol (2019)!

Escrito e dirigido pelo jovem cineasta Robert Eggers, do também aclamado A Bruxa (2015) – que ou você ama ou odeia – The Lighthouse nos é apresentado através da belíssima fotografia assinada por Jarin Blaschke, que remete às obras dos filmes dos anos 1920 a 1930, com um “quase-quadrado” de 1.19:1 e feito todo em preto e branco, dando uma sensação de enclausuramento para o espectador, assim como os dois personagens se sentem ao longo dos 110 minutos de duração.

Thomas Wake (Dafoe) e Ephraim Winslow (Pattinson) aparecem em uma das primeiras cenas em uma tomada genial que dá a impressão de quebra da quarta parede (quando os personagens olham diretamente para a câmera, ou conversam com quem está assistindo de fora da tela).

Este é um filme para sentir, desde angústia, aflição à tensão. A trilha sonora, composta por Mark Korven, é uma mistura marcante de sons metálicos e graves que dançam com o mau tempo constante da ilha, assim como o silêncio que se faz presente em diversos momentos entre Winslow, o novo zelador temporário, e Wake o responsável mais antigo pela manutenção do farol.

Eggers e Blaschke souberam combinar muito bem aspectos do cinema alemão em sua fase expressionista (década de 1920) para darem vida a The Lighthouse, tanto é que o filme foi indicado ao Oscar 2020 na categoria Melhor Fotografia! Além de outras tantas referências literárias para comporem os homens ranzinzas do mar e as criaturas sombrias que os cercam, como Herman Melville (Moby Dick – 1851), os contos de H. P. Lovecraft (O Chamado de Cthulhu – 1928) e até mesmo Robert Louis Stevenson (O Médico e o Monstro – 1886).

Assim como em A Bruxa, não encontraremos respostas rápidas e imediatas para os terrores que rondam O Farol e os dois protagonistas que parecem à beira da loucura a cada hora que passam instalados naquele local. Os 30 dias nos quais Wake e Winslow precisam cuidar da ilha se tornam anos de desespero e terror. 

Em suma, O Farol nos convida a fazer parte da solidão na mente de dois homens em conflitos internos, atormentados pela própria cegueira e machismo da época, em uma história repleta de simbologia, mitos e obscuridade. Vale a pena conferir e prestigiar essa fase do terror cinematográfico que foge ao óbvio e previsível.

O FAROL (2019)

The Lighthouse – Robert Eggers

Início do século XX. Thomas Wake (Willem Dafoe), responsável pelo farol de uma ilha isolada, contrata o jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson) para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. No entanto, o acesso ao farol é mantido fechado ao novato, que se torna cada vez mais curioso com este espaço privado. Enquanto os dois homens se conhecem e se provocam, Ephraim fica obcecado em descobrir o que acontece naquele espaço fechado, ao mesmo tempo em que fenômenos estranhos começam a acontecer ao seu redor.

Direção: Robert Eggers Roteiro: Max Eggers, Robert Eggers Produção: A24, New Regency Pictures, RT Features Elenco: Willem Dafoe, Robert Pattinson, Valeriia Karaman Estreia: 02 de janeiro 2020 – Brasil Classificação: 16 anos

Principais Indicações Oscar: Melhor Fotografia – Jarin Blaschke Prêmio BAFTA de Cinema: Melhor Fotografia – Jarin Blaschke Critics’ Choice Award : Melhor Fotografia – Jarin Blaschke Critics’ Choice Award: Melhor Ator Coadjuvante – Willem Dafoe Prêmio Independent Spirit: Melhor Diretor – Robert Eggers Prêmio Independent Spirit: Melhor Ator – Robert Pattinson Prêmio Independent Spirit: Melhor Ator Coadjuvante – Willem Dafoe

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