• Thiago Andrade

Indication Presents – Crime Of The Century (1974)

O disco mais subestimado da história do Rock.

Fala Brother! Bora trocar uma idéia sobre música?! 

Estava eu de boas tempos atrás afim de ouvir um disco daqueles de arrepiar a espinha, resolvi escolher uma obra pra tirar essa vontade. Passando pela minha lista consagrada dos melhores discos vou foliando e nomes como Pink Floyd, Led Zeppelin, The Beatles, Bob Dylan, estão sempre em primeiro plano, mas aí dei uma olhada mais afundo pois sentia que tinha um disco me chamando no fim da lista, e tinha. Fazia uma vida que não ouvia Supertramp, e quando me deparei com a icônica arte de “Crime Of The Century” já arrepiei pois sabia que era ele quem estava me chamando pra passar um momento juntos. Hahahaha. 

Brincadeiras a parte, vamos falar sobre uma das obras mais bem compostas da história, tanto na parte musical quanto na parte conceitual. Um disco que te leva a sentir uma história talvez até mais que o próprio “The Wall”, pelo menos foi assim pra mim.

Em 1973 Roger HodgsonRick Davies haviam acabado de lançar sua segunda obra, porém sem sucesso ainda não haviam conseguido emplacar um bom disco. E foi sobre grande pressão da sua gravadora que se desafiaram a partir para o “agora ou nunca”, e compor/gravar enfim, uma belezura máxima musical, teatral, conceitual.

O que vou passar para vocês hoje, não é uma visão técnica ou musical do disco, mas sim uma visão sentimental e teatral, a sensação que eu tenho ao ouví-lo.  Como você já sabe, primeiro prepare o ritual, abra sua melhor bebida e sente na sua melhor poltrona, coloque pra tocar e vamos começar a viagem.

A primeira faixa é “School”, uma obra muito bonita e misteriosa, que me passa a sensação do início da trajetória do protagonista, indignado com sua experiencia na escola, criticando os métodos utilizados e o processo de alienação das crianças na escola, fato que muitos ainda não entendem até hoje. Vale dizer que segundo o Supertramp, este não foi feito para ser um disco conceitual, então toda essa história que vou contar à vocês faz parte da minha experiencia particular ao ouví-lo.

A história vem caminhando e então temos a faixa “Bloody Well Right”, essa me parece se passar logo após o final do período escolar, e a letra fala sobre Xenofobia, onde ele conversa com outra pessoa da mesma idade porém que tem mais privilégios pelo seu “sangue”(família, origem, cor). Mas o sentimento da música se desenvolve e enquanto ela começa com mais ódio e crítica, termina passando a sentir pena e ignorando seu complexo de superioridade.

Em seguida temos o momento mais triste do álbum com “Hide In Your Shell” e “Asylum”, o que sinto aqui é que o protagonista chegou até um colapso, sabe aquele momento que você percebe que tem que fazer terapia!? Exatamente essa hora hahahaha. Em “Asylum” eu tenho a sensação de que ele teve que passar por um hospício para poder reverter todas as suas angústias e ódio.

O disco então segue para uma reviravolta nos sentimentos, onde o protagonista começa a enxergar as coisas com olhos mais otimistas e sonhar com um futuro, isso acontece na canção “Dreamer”. Logo em seguida temos “Rudy”, momento em que o protagonista tem seu nome revelado e descobre que aquele sonho da canção anterior era somente uma ilusão, e parte para uma desilusão total, descobre que estar vivo não significa mais muita coisa. 

Pra finalizar toda essa história, chegamos às duas últimas músicas do disco, “If Everyone Was Listening” e a faixa título “Crime Of The Century”,onde temos o desfecho de toda essa intensa trajetória. Como nosso Rudy, acabaria de descobrir a verdade sobre a vida na faixa anterior, aqui ele toma a decisão que marcaria a tragédia e na última faixa ele passaria a planejar e enfim executar o grande Crime do Século.

Meu objetivo aqui não é fazer com que você sinta a mesma coisa que eu, mas sim que você tire suas próprias conclusões e tenha seus próprios sentimentos ao ouví-lo, só gostaria de passar a minha visão sobre a narrativa trazida pelas letras. No final das contas por mais que pareça uma história com começo meio e fim, são só ótimas músicas muito pessoais escritas por Hodgson e Davies sobre alguns traumas em suas vidas, sem nenhum objetivo de tornar o álbum uma obra conceitual. 

Enfim Brother! Chego aqui ao final de mais um Indication Presents, espero que tenha curtido e que ouça o disco, pois esse é daqueles que nos fazem mergulhar em um outro universo. Se já ouviu espero que tenha sentido algo tão intenso quanto eu senti.

Grande abraço, e até a próxima. 

#rock #Musica #supertramp #progressivo #crimeofthecentury

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